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Alargando abismos ou democratizando a vida?

Quando pensamos a questão da Internet na vida das pessoas nos deparamos com duas questões básicas. A primeira delas tem origem econômica e é o fato de que para se ter acesso à Internet é preciso, no mínimo, ter um computador disponível, uma linha telefônica ou outro meio de acesso, dinheiro para se manter conectado e, principalmente, tempo e nível educacional para realmente poder aproveitar as oportunidades de informação que estão disponíveis. Como a Internet multiplicou por milhões a condição de fazer negócios, aprender, se relacionar, estudar, conseguir emprego, ganhar dinheiro, para as pessoas que podem acessar regularmente a mesma, isto se torna um fator de alargamento imenso (tão grande como nunca existiu na História) do abismo entre as classes sociais. Agora, além da exclusão econômica que sempre existiu entre aqueles que possuem recursos e aqueles que apenas conseguem o necessário para a sobrevivência, existe a exclusão digital entre aqueles que ALÉM de possuírem recursos possuem também acesso muito mais rápido e fácil à informação e aqueles que se restringem à leitura da primeira página dos jornais pendurados nas bancas e ao sofrível jornal nacional da noite.

 

Por outro lado, como tudo que vive na vida, não existe yin sem yang. A Internet, pelo fato de ser extremamente democrática e não controlada, trouxe uma dimensão (agora política) de democratização imensa para a geração e difusão de cultura, arte, conhecimento e trabalho colaborativo entre as pessoas. (Tá certo que trouxe também uma infinidade de besteiras, pornografia barata e mentiras, mas isso também faz parte da vida...). Depois dessa primeira onda de massificação relativa da Net, uma miríade de novos escritores, músicos, poetas, cientistas, performáticos e outros bichos, puderam divulgar suas obras, idéias, trabalhos, pesquisas, de maneira instantânea e muito barata. Nunca se produziu tanta imagem e tanta letrinha como hoje... Se não fosse a Internet essa produção toda jamais teria sido colocada no mundo, para tanta gente. Esta parte pode trazer grandes benefícios como informação mais rápida, democrática e sem censura, ensino e medicina à distância, debates universais para a resolução de questões científicas, políticas, econômicas, de promoção humana, artísticas, e qualquer outra. Os povos se aproximaram e começaram a estabelecer grupos de colaboração e de defesa mútua.

 

Precisamos iniciar uma discussão sobre os aspectos acima, de forma a coordenarmos as energias no sentido de incrementar a cultura e a produção na rede, em benefício de todos e também de modo a minimizar os efeitos da exclusão digital das pessoas menos favorecidas. Não é um trabalho muito diferente do que a Humanidade vem fazendo desde que aprendeu a andar e falar, mas precisa ser feito de maneira cada vez mais consciente.


 

Mais uma vez, precisamos PENSAR GLOBALMENTE e AGIR LOCALMENTE. Vamos aprofundar o debate da estratégia que podemos ter com relação a estes temas (nós, sociedade, governos, pessoas...) e também de como podemos executar essa estratégia, ou seja, quais são as ações locais que podemos fazer (em nossa família, trabalho, grupo social, tribo, sei lá...), de forma a implantar a estratégia, que em princípio (minimalista) é a de reduzir o abismo e aumentar a oportunidade das pessoas se relacionarem e crescerem. Quem tiver comentários a fazer para prosseguirmos este tema, nos envie, por favor, utilizando o link comentário, abaixo.

Marrey Peres

 

 

Fotos de Alicia Peres.

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