No Dia Nacional do Choro, o som amanhece leve, como quem sopra história em flauta e saudade. É também o aniversário de Pixinguinha, mestre que fez da vida um sopro eterno de música.
E lá vem Segura Ele, ligeiro, travesso, correndo entre notas que riem e escapam, como menino solto na rua de paralelepípedo.
Depois, o coração desce manso em Descendo a Serra, onde cada acorde parece paisagem, e o vento canta histórias que o tempo não apaga.
Entre pétalas de som floresce Rosa, delicada, profunda, quase um sussurro, que transforma dor em beleza, e faz da música um jardim de sentimentos.
Mas o choro também é pureza em Ingênuo, simples como um sorriso sem pressa, tocando a alma com ternura e verdade.
E quando a saudade aperta, ecoam os Lamentos, choros que não são só tristeza, mas memória viva que insiste em cantar.
Assim segue o choro, entre riso e lágrima, entre o agora e o que ficou, celebrando Pixinguinha, que nunca partiu — apenas virou música.
Dudu Magalhães
